“Rio 40 graus, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos”. O refrão que Fernanda Abreu criou na década de 90 talvez seja a melhor síntese da complexidade do Rio de Janeiro, com suas paisagens naturais inigualáveis e problemas urbanos inescapáveis de uma metrópole com mais de seis milhões habitantes. Como se diz pelas bandas de cá: o Rio não é para amadores. Então vale a pena ficar ligado nessas dicas para aproveitar melhor sua estadia em terras cariocas.

Sombra, água de coco e tranquilidade

Rio de Janeiro é sinônimo de praia e é lá que você vai passar muitas horas do seu dia. Uma das grandes preocupações de visitantes diz respeito à poluição. Periodicamente, o Instituto Estadual do Ambiente testa a qualidade da água das praias da cidade e, excluindo o período de chuvas em que há maiores variações, as praias de Copacabana, Leblon e Ipanema apresentam condições favoráveis de balneabilidade.
Quando for à praia, leve apenas o essencial: roupa de banho apropriada, canga/toalha, protetor solar, pouco dinheiro e bastante disposição pra garantir aquele bronzeado carioca. Se estiver sozinho e resolver tomar um banho de mar, deixe suas coisas com alguém de inspire confiança (pode parecer esquisito, mas você vai reconhecer essas pessoas na praia através do olhar) ou então leve uma bolsa amarrada na cintura, ou aproveite a volta da moda da pochete e carregue uma impermeável com você.
Lembre-se de cuidar de você também, se manter hidratado, passar protetor solar várias vezes ao dia e se abrigar debaixo de um guarda-sol quando bate o pico de 12h é importantíssimo!

Ao andar na rua…

Junto da poluição, a violência é sem dúvidas um dos purgatórios do caos mais conhecidos da cidade do Rio. Contudo, muita coisa mudou nos últimos anos. Segundo dados de um estudo da Unesco, a taxa de mortalidade por arma de fogo caiu quase 70% na última década na cidade (a maior redução em uma capital no país). Mas a sensação de insegurança, somada às desigualdades sociais e os perigos comuns de uma grande metrópole, ainda causam medo em muitos visitantes.
Tendo tudo isso em mente, algumas precauções podem ser tomadas para evitar os riscos de assaltos como evitar andar a pé por túneis ou na areia da praia à noite; não carregar grande quantia de dinheiro ou jóias, especialmente se você for sair para beber; andar com uma cópia do passaporte, nunca o original; visitar o Centro do Rio e sua rica arquitetura sempre de dia e durante a semana, já que à noite ele se torna um lugar inóspito.

Aventura sempre! (mas com responsa)

O relevo montanhoso da cidade do Rio favorece àqueles visitantes que curtem aventuras e contato com natureza. Diversas trilhas e passeios são possíveis e te presenteiam com vistas espetaculares. Antes de iniciar uma trilha, procure se informar sobre a sua intensidade e dificuldade. Um bom começo pode ser se aventurar na trilha do Morro dos Dois Irmãos em Ipanema, que dura por volta de 40 minutos, é bem sinalizada e considerada de intensidade leve.
Se você quiser uma aventura um pouco mais intensa – além de economizar um bom dinheiro – que tal fazer a trilha do Cristo Redentor? Partindo do Parque Lage no bairro do Jardim Botânico, você chega até o monumento depois de mais ou menos 1h30 de caminhada. Outra trilha intensa é a subida da Pedra da Gávea: o visual certamente vale todo o esforço, mas não faça essa trilha sem um guia e sem estar com o preparo físico em dia, já que ela envolve partes que requer experiência e destreza.

Metrô? Ônibus? Táxi? Uber?

Nos últimos anos, a cidade passou uma grande transformação em sua malha de transportes, então até os próprios cariocas ainda estão se adaptando às novas linhas de ônibus, metrô, BRT (bus rapid transit) e VLT (veículo leve sobre trilhos). A dica é dar uma estudada no mapinha da cidade e se utilizar de um bom aplicativo de mobilidade, como o Moovit.
A melhor opção para circular entre o centro da cidade e a zona sul é sem dúvidas o metrô. Mas ele não te leva a todos os lugares: se você estiver fazendo aquela viagem low budget, e quer conhecer pontos turísticos como Pão de Açúcar, Cristo Redentor e Jardim Botânico, você terá que utilizar ônibus.
Agora, se você gosta de ter um pouco mais de conforto ou então estiver saindo de madrugada de uma balada, táxis e Ubers estarão sempre à disposição. Taxistas às vezes podem se aproveitar da sua ingenuidade turística e te fazer percorrer um caminho mais longo que o necessário – o que fica mais difícil no Uber por causa do sistema de GPS. Outra vantagem do Uber é em relação ao preço: normalmente uma corrida sai pela metade do preço táxi comum.

Quem tem boca vai…

Certamente quem inventou esse ditado completaria com “Rio de Janeiro” em vez de Roma, se conhecesse a cidade maravilhosa. De motoristas de ônibus, até jornaleiros, passando por vendedores ou pessoas caminhando pela rua: cariocas se amarram em ajudar turistas, mesmo sem falar o idioma de origem do visitante. Se você não sabe falar português, se prepare para um show de gestos, mímicas e afins. E o mais engraçado de tudo é que no fim todo mundo se entende.

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